Saiba o que fazer em caso de picada de cobra, escorpião, aranha, abelha ou lagarta e quando procurar atendimento hospitalar com urgência
Acidentes com animais peçonhentos são mais comuns do que as pessoas imaginam e podem acontecer em áreas urbanas e rurais. Saber como agir rapidamente pode evitar complicações e salvar vidas.
Cobras, escorpiões, aranhas, abelhas e algumas lagartas são exemplos de animais que produzem veneno e podem inoculá-lo por meio de picadas ou mordidas.
Neste artigo, explicamos como identificar os principais riscos, quais são os primeiros cuidados e quando é fundamental procurar atendimento médico.
O que são animais peçonhentos?
Animais peçonhentos são aqueles que produzem veneno (peçonha) e conseguem inoculá-lo por meio de ferrões, presas ou cerdas.
Entre os principais exemplos no Brasil estão:
• Serpentes (cobras)
• Escorpiões
• Aranhas
• Abelhas
• Algumas lagartas
Picadas de abelhas: quando se preocupar?
Uma única picada geralmente causa dor, vermelhidão e inchaço local.
No entanto, múltiplas picadas podem causar intoxicação grave, especialmente em:
• Crianças
• Idosos
• Pessoas alérgicas
Em caso de muitas picadas ou sinais como falta de ar, tontura ou inchaço generalizado, procure atendimento hospitalar imediatamente.
Picadas de aranha: o que fazer?
No Brasil, as aranhas de maior importância em saúde pública pertencem aos gêneros:
• Aranha-marrom (Loxosceles)
• Aranha-armadeira (Phoneutria)
• Viúva-negra (Latrodectus)
Primeiros cuidados:
• Lave o local com água e sabão
• Faça compressa morna para aliviar a dor
• Procure atendimento de saúde
• Se for seguro, fotografe o animal para identificação
Picada de escorpião: atenção redobrada
Os escorpiões do gênero Tityus são os mais associados a acidentes graves no Brasil.
O que fazer:
• Lavar o local com água e sabão
• Procurar atendimento médico imediatamente
Crianças e idosos devem ser avaliados com urgência, mesmo que os sintomas pareçam leves.
Contato com lagartas: pode ser grave
Algumas lagartas possuem cerdas que liberam substâncias tóxicas ao toque.
A lagarta do gênero Lonomia pode causar complicações graves.
O que fazer:
• Lavar o local com água fria e sabão
• Procurar atendimento médico imediato
• Se possível, fotografar o animal
Picada de cobra: o que fazer imediatamente?
Os acidentes com serpentes peçonhentas no Brasil podem ser causados por:
• Jararacas
• Cascavéis
• Corais-verdadeiras
• Surucucus
Primeiros cuidados:
• Retirar anéis, pulseiras e objetos apertados
• Lavar o local com água e sabão
• Manter a pessoa em repouso
• Procurar atendimento médico imediatamente
• Se for seguro, fotografar a serpente
Não faça torniquete, não corte o local e não tente sugar o veneno.
Toda picada de cobra causa envenenamento?
Não necessariamente.
Em alguns casos, a serpente pode morder sem inocular veneno. Isso é chamado de “picada seca”.
Mesmo assim, toda picada deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Mitos e verdades sobre animais peçonhentos
• Muitas picadas de abelha podem ser graves — Verdade
• Toda picada de serpente causa envenenamento — Mito
• Aranhas grandes são sempre mais venenosas — Mito
• Nem todo acidente precisa de soro — Verdade
O uso de soro depende do tipo de animal e da gravidade do quadro clínico.
Quando procurar atendimento hospitalar?
Procure atendimento imediatamente em caso de:
• Picada de cobra
• Picada de escorpião
• Múltiplas picadas de abelha
• Sintomas como dor intensa, vômito, falta de ar, fraqueza ou alteração da consciência
• Acidentes envolvendo crianças ou idosos
Atendimento especializado
O Hospital Santa Cruz é referência regional no atendimento de urgências e dispõe de soros específicos para tratamento de acidentes com animais peçonhentos, conforme indicação médica.
Em caso de emergência, procure atendimento imediatamente.
Orientações aos Profissionais de Saúde
Atendimento a Acidentes por Animais Peçonhentos
O atendimento a acidentes por animais peçonhentos exige conduta técnica adequada, notificação obrigatória e, quando indicado, soroterapia específica.
Este protocolo é destinado aos profissionais de saúde envolvidos no manejo desses casos.
Animais Peçonhentos de Interesse em Saúde Pública
Os principais animais peçonhentos com relevância epidemiológica no Brasil incluem:
Serpentes
Classificadas conforme o gênero responsável pelo acidente:
• Grupo botrópico (Bothrops, Bothrocophias)
• Grupo crotálico (Crotalus)
• Grupo laquético (Lachesis)
• Grupo elapídico (Micrurus, Leptomicrurus)
Escorpiões
• Gênero Tityus (T. serrulatus, T. bahiensis, T. stigmurus, T. obscurus)
Aranhas
• Grupo loxoscélico (Loxosceles)
• Grupo fonêutrico (Phoneutria)
• Grupo latrodéctico (Latrodectus)
Abelhas
• Gênero Apis
Lagartas
• Gênero Lonomia
Outros animais, como vespas, marimbondos, lacraias, arraias e bagres, embora não classificados entre os principais de interesse em saúde pública, podem provocar acidentes graves e também devem ser notificados no SINAN.
Notificação de Acidentes por Animais Peçonhentos (SINAN)
A notificação é obrigatória para todos os casos atendidos.
O registro deve ser realizado por meio da Ficha de Notificação de Acidente por Animal Peçonhento.
Onde acessar a ficha:
• Portal SINAN
• Rede interna HSC: Meu Computador > Arquivos HSC > Setores > CIH > Notificações
• DigiSINAN (para profissionais habilitados)
Em caso de dúvidas quanto ao preenchimento, consulte o MANUAL DE INSTRUÇÕES.
Importante: Toda ficha deve ser encaminhada ao SCIH para posterior envio à Vigilância Epidemiológica municipal.
Orientação Toxicológica – Centro de Informação Toxicológica (CIT/RS)
Todo caso deve ser discutido com o Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul.
Contatos:
• Emergência: 0800-721-3000
• Telefone: (51) 2139-9200
A orientação toxicológica auxilia na definição da conduta clínica e na indicação de soroterapia.
Soroterapia em Acidentes por Animais Peçonhentos
A indicação de soro antiveneno deve seguir critérios clínicos e protocolos oficiais.
Clique AQUI para acessar os hospitais de referência no Rio Grande do Sul.
Soros disponíveis no Hospital Santa Cruz
O Hospital Santa Cruz dispõe dos seguintes soros:
• Soro antibotrópico
• Soro anticrotálico
• Soro antielapídico
• Soro antiescorpiônico
• Soro antiloxoscélico
• Soro antifonêutrico
• Soro antilonômico
A administração deve ser realizada conforme protocolo técnico e monitoramento clínico adequado.
REFERÊNCIA TÉCNICA:
• Ministério da Saúde
• Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul





